18
out
09

Curiosidades: Produzindo um som “Eletroeletrônico”

Neste vídeo sensacional que trago hoje, vocês acompanham o processo de produção de um som Electro House (vertente do som eletrônico) feito por D’azoo At Night, um dos nomes mais proeminentes do som eletrônico brasileiro que já começa a aparecer em eventos nacionais, aliás, bem tarde porque lá na Europa ele já anda detonando! Ele mesmo montou o vídeo explicando como fez o som, muitos produtores usam a mesma técnica. Mas não se trata de qualquer som, é “Tango in Tokyo”, uma das vibes de maior sucesso em 2008 para quem está por dentro da cena eletrônica.
Com grande versatilidade, o cara sempre faz som estuprante e segue uma linha de vibe que eu acho a melhor que existe: seus sons começam de boa e vão crescendo com o prosseguir dos minutos, as notas vão sempre “aumentando”, dando a impressão que as caixas vão explodir e sendo o segredo para deixar os baladers doidos! O que ele consegue fazer com seus samples de marca registrada é inusitado.
No Myspace do D’azoo At Night você pode conferir previews de suas produções e uma série de outras coisas, os downloads você acham facilmente! (eu não ensino essas coisas =] )
Também existe uma série de sets meus com os sons deste cara, seu nome é Rafael Schewinski e parece que é mais novo que eu! Confira mais detalhes no perfil Last.fm do produtor.

Vídeo feito por D’azoo, mostrando como ele produziu Tango In Tokyo (Radio Edit) no Fruit Loops 8.


Para que não role um boiamento durante a audiência do vídeo, vou explicar sucintamente o que ocorre no mesmo. Primeiro, vou dar um “preview” bem superficial do aspecto técnico do som eletrônico. Ele é dividido em partes, temos usualmente quatro grandes partes principais e subdivisões dentro das mesmas, sempre seguindo este fator multiplicativo em 4x.
Nos primeiros minutos podem ver as pequenas barras no vídeo, se tratam das trilhas que são sobrepostas durante a execução. No segundo 0:30 do vídeo, dá para se ver um preview onde aparece as quatro grandes partes do som. Onde na terceira delas, pode-se notar a redução drástica de “samples” (átomo da música, seus agrupamentos formam os sons e as barras que vocês vêm), é a parte lenta da música, o que eu particularmente chamo de adágio (ainda não pude confirmar este termo).
Durante a passagem das “barrinhas”, ele clica duas vezes em cada uma para que possa se ver os elementos que compõe aquele objeto do som. Como não se pode ter um preview de todos os elementos simultâneamente, ele faz um drible no vídeo onde escolhe trechos aleatórios para mostrar para a galera como o fez.
Depois ele volta para a tela principal e escolhe outro subgrupo para mostrar.
Nesta versão Radio, temos 4 grades partes, na versão extendida, também são quatro, porém cada termo é repetido por duas vezes (usualmente); o adágio por exemplo tem o dobro de duração na versão extendida.
“Tango in Tokyo” extendida difere nesta somente na introdução e no brake, já que nesta versão eles não existem, dando uma duração total de 5:09.
Na primeira demonstração de sample, ele mostra como foi montado o trecho auge de Tango in Tokyo, o divisor das grandes barras (aspecto mais técnico da produção): uma performance bem curta na sanfona, para dividir os trechos principais do som. Provavelmente ele abre a versão Radio com esse sample (entenda aqui o sample como o trecho repetitível do som, aumentei o termo para ficar mais fácil explicar, o sample é muito mais minúsculo).
Pode-se ver na tela do Fruit Loops, várias trilhas que podem ser usáveis, seria sua área de trabalho. Cada vez que o cursor durante a execução encontra naquela trilha uma barra sólida, ele executa seus elementos contidos na mesma. Observe durante o vídeo um pequeno quadrado (que surge de algum lugar!) fazendo destaque para a entrada de um efeito, dividindo barras (ie, 4 tempos com 4 batidas cada) da música.
Durante o adágio fica bem claro como se faz a produção, ele mostra primeiro a performance da “sanfona”, depois a entrada do baixo (antes ele volta para a tela principal e clica duas vezes no grupo do baixo). E assim vai seguindo até o final do som.
Eu fiz algo parecido, porém nada muito sofisticado pois os software eram bem limitados perto do Fruit Loops, mas com os mesmíssimos conceitos. Na época fiz com o e-Jay (nem sei se existe ainda o software). Os conhecimentos em produção eram suficientes para brincar um pouco, acompanhem o progresso através das três produções que realizei naquele tempo (sempre introduzindo novos conceitos técnicos a cada lançamento:

  • 1º Single: DJ Magnnus Macmay – Goin’ 2 Tha Loneliness

  • Após baixarem o som aqui, vão poder ouvir e notar que apesar de seguir a matemática da coisa, a introdução e o brake (final) do som estão incorretos, ou nem existem. O BPM é alto, na casa dos 140, nessa época eu ainda não fazia sets. Na verdade o fato de fazer essas produções me ajudaram a desenvolver bem essa coisa de sets. Em “Goin’ 2 Tha Loneliness” eu deixei quase que tudo no default, só brincando com os samples. “A idéia era fazer um som bem hard techno, usei bastante elementos do gênero.”
    Mas o som não cresce da forma correta (em dados momentos até parece que o BPM aumentou), não tem início, meio e fim, faltava alguma coisa. Quando depois de alguns meses (ou anos), sai “Mama’s Dance”…

  • 2º Single: DJ Magnnus Macmay – Mama’s Dance

  • Explorando mais os meus recursos criativos e de software, sai Mama’s Dance, inclusive com vocais! Baixando aqui, poderão notar a evolução DRÁSTICA em relação à “Goin’ 2 Tha Loneliness”, neste trabalho o som é mais dançante, mais a minha cara. Aparentemente eu já brincava com sets nessa época ou já observava elementos mais técnicos que não observara atnes, melhorando meu feeling na condução do som. Tem “paradinhas”, adágio elaborado, vocais fortes, pancada e bastante teclado. Eu até faria um vídeo igual ao de D’azoo se eu soubesse se eu tenho como trazer isso para vocês, um dia descubro! =]
    Depois de um tempo, senti que algo faltava…

  • 3º Single: DJ Magnnus Macmay – Mama’s Dance (Club Mix)

  • A limitação do e-Jay, novas descobertas e idéias trouxeram a versão que eu batizei como sendo a Club Mix, alguns elementos bastante discretos (porém diferenciais) mudaram nesta versão, a levada mudou completamente. Eu comprimi mais o som, melhorei a estereofonia, aumentei o level de diversos samples, trouxe o padrão correto das barras e compassos, entre outros. Baixando aqui na faixa, poderão ver que assim o som é até virável! Basta introduzi-lo em algum set com sons da época dos 140BPM, algo próximo de 2002, 2004 que dá uma sonoridade até boa acredito, ainda não fiz o teste! =]
    Ficou tudo como eu queria: a intro, o brake, mais próximo do que eu queria e podia fazer com os recursos, o resto é limitação do software! Rolou até SoundForge na época.

Esse post deu trabalho! =)
Explicar a alma do som eletrônico dá trabalho, espero que gostem!
Ganha um CD quem compartilhar nas redes!
Abraços! Até a próxima!

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